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terça-feira, 18 de junho de 2013
POLÍTICA MINERAL | Governo anuncia novo marco regulatório da mineração

POLÍTICA MINERAL | Governo anuncia novo marco regulatório da mineração

O governo vai anunciar hoje (18) as novas regras para a exploração dos minérios no país. O novo código de mineração, que está em discussão há cerca de cinco anos, vai substituir as regras atuais, que são de 1967, para modernizar o setor e aumentar o nível dos investimentos.

As medidas serão anunciadas às 11h, em cerimônia no Palácio do Planalto que contará com a presença da presidenta Dilma Rousseff e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A mudança na legislação mineral brasileira deverá estabelecer novos critérios para a cobrança da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), que é o royaltie que incide sobre o minério extraído. Também estão previstas licitações para a exploração das jazidas que, hoje, têm apenas autorizações.

Recentemente, o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Carlos Nogueira, disse que as novas regras vão incentivar a participação do setor privado e contribuir para o desenvolvimento da produção mineral no país. Segundo ele, as mudanças são projetadas para fortalecer a exploração mineral e criar um ambiente onde haja agregação de valor às atividades de mineração e transformação mineral.
 
(Agência Brasil)
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
NOTAS RÁPIDAS | Mineração

NOTAS RÁPIDAS | Mineração

 
RECURSOS HÍDRICOS
A outorga para uso de recursos hídricos na mineração foi o primeiro tema discutido pelo Grupo de Trabalho para Aperfeiçoar o Processo de Licenciamento Ambiental (Gtaplam) este ano. Coordenado pela Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), o Gtaplam começou, ontem, os trabalhos em 2013. A reunião teve três subtemas: como funciona o processo de outorga de recursos hídricos na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema); problemas identificados no processo de outorga; e o fluxo de processos em racionalidade do andamento da outorga de licença ambiental. “O Gtaplam é um grande avanço porque reúne governo, empresas e especialistas para discutir temas e buscar um acordo razoável”, avaliou a secretária adjunta da Seicom, Maria Amélia Enriquez, destacando que as soluções apontadas durante as reuniões são encaminhadas à Sema e que, algumas já foram adotadas.
O Liberal (27-02-2013)
   
VALE 
A mineradora Vale apresentou o primeiro prejuízo trimestral dos últimos dez anos: 5,6 bilhões de reais referentes ao período de operação entre outubro e dezembro de 2012. No ano, lucro foi de 9,7 bilhões de reais - valor bem menor aos 37,8 bilhões de reais conquistados em 2011. A maior empresa de mineração do país atribuiu o resultado negativo à queda dos preços de minérios e metais, com exceção do ouro. Segundo relatório da empresa, “os preços do minério de ferro se tornaram muito mais voláteis, demonstrando grande volatilidade de baixa especialmente no terceiro trimestre do ano”.
Exame | Mineração (27/02?2013) 
 
SETOR EXTRATIVO MINERAL
Mesmo com um pequeno recuo no mês de janeiro, o Pará continua sendo o estado da região Norte que mais gerou empregos formais no setor extrativo mineral nos últimos doze meses. Essa foi a constatação do balanço sobre a flutuação dos postos de trabalho no setor realizado pelo Dieese no Pará (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O estudo divulgado nesta segunda-feira (25) tem base em dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho.
Portal ORM - Online / Plantão - Economia (26/02/2013) 
 
NOVO CÓDIGO DE MINERAÇÃO
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, prometeu discutir o texto do novo Código de Mineração com os líderes da base aliada, antes do envio da matéria ao Congresso. O governo bateu o martelo sobre duas questões: elevar o valor dos royalties cobrados das mineradoras e endurecer a liberação de autorizações para pesquisa e exploração de lavras. O suspense decorrente de quatro anos de atraso deixou as mineradoras apreensivas, sobretudo diante da queda dos preços das commodities, como o minério de ferro. Acham que o cenário não favorece o aumento de tributos. Após idas e vindas do projeto entre os ministérios de Minas e Energia, da Fazenda, e a Casa Civil, as discussões estão na reta final, conduzidas pela ministra Gleisi Hoffmann. O governo decidiu enviar a matéria ao Congresso por meio de medida provisória.
Estadão (25/02/2013)

VALE
Ouro 1 - A Vale assinou acordo com a Silver Wheaton Corp. (SLW), empresa canadense com ações negociadas na Toronto Stock Exchange e New York Stock Exchange, para vender 25% dos fluxos de ouro pagável produzidos como subproduto da mina de cobre do Salobo durante a vida da mina e 70% dos fluxos de ouro pagável produzido como subproduto das minas de níquel de Sudbury – Coleman, Copper Cliff, Creighton, Garson, Stobie, Totten e Victor – por 20 anos.

Ouro 2 - A Vale receberá um pagamento inicial em dinheiro no valor de US$ 1,9 bilhão, mais 10 milhões de warrants da SLW com preço de exercício de US$ 65 e prazo de 10 anos, cujo valor é estimado em US$ 100 milhões. A quantia de US$ 1,33 bilhão será paga por 25% do ouro pagável produzido como subproduto do Salobo, enquanto US$ 570 milhões mais os 10 milhões de warrants da SLW serão recebidos em troca de 70% do ouro pagável produzido como subproduto das minas de Sudbury.

Ouro 3 - A transação libera considerável valor contido nos ativos de metais básicos de classe mundial, na medida em que atribui ao ouro pagável produzido como subproduto do Salobo o valor de US$ 5,32 bilhões, além dos pagamentos de US$ 400 por onça de ouro entregue, dado que não haverá custos adicionais para a extração do ouro contido no concentrado de cobre produzido pelo Salobo. O capex estimado para o Salobo – Salobo I e Salobo II – com capacidade nominal de 200.000 toneladas anuais de cobre em concentrado mais o ouro produzido como subproduto, é de US$ 4,2 bilhões, dos quais US$ 3,05 bilhões foram investidos até 31 de dezembro de 2012.
Diário do Pará - Economia / Bacana (24/02/2013)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
POLÍTICA MINERAL | Governo estuda vantagem tributária para quem agregar valor a minério

POLÍTICA MINERAL | Governo estuda vantagem tributária para quem agregar valor a minério

Pelota de minério de ferro. Foto: Divulgação/Samarco
O novo marco regulatório da mineração, em fase final de elaboração pelo governo, pode estabelecer vantagens tributárias para mineradoras que agregarem valor à produção, afirmaram autoridades à Reuters.

A pedido da presidente Dilma Rousseff, o novo marco regulatório de mineração pretende estimular o aumento da exportação de produtos transformados ou beneficiados, já que o modelo atual incentiva a exportação da matéria-prima mineral. A Lei Kandir, por exemplo, isenta produtores do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na exportação de commodities, como o minério de ferro.

"Há um estímulo para verticalizar a produção, estimulando, por exemplo, que se transforme minério de ferro em aço dentro do país", disse uma fonte do Palácio do Planalto, na condição de anonimato. O minério de ferro é o principal item da pauta de exportação brasileira, respondendo no ano passado por 12,7 por cento do total exportado pelo país.

O governo deve também eliminar algumas distorções que punem justamente quem agrega valor ao minério, segundo outra fonte ouvida pela Reuters.

Um estudo realizado por técnicos do Ministério de Minas e Energia mostra que as mineradoras que hoje agregam valor a seus produtos acabam sendo penalizadas ao pagarem mais royalties, a chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Na cadeia do ferro, por exemplo, a pelota e o minério são tributados com a mesma alíquota da CFEM, mas como a pelota tem um valor mais alto, acaba pagando mais royalty.

"Ainda não há decisão final sobre compensações ou vantagens para quem agregar valor ao produto, mas é uma das ideias da presidente", disse à Reuters a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Além de incentivar produtos de maior valor agregado, o governo também está discutindo mudanças nos royalties da mineração.

O acordado até o momento é que a alíquota, hoje em 2 por cento sobre o faturamento líquido, subirá para 4 por cento e incidirá sobre o faturamento bruto das mineradoras, segundo informaram as fontes. O percentual foi sugerido pelo Estado de Minas Gerais, um dos maiores produtores de minério do país.

Complexidade 
Segundo a ministra, um grupo de trabalho do governo se comprometeu com a presidente a concluir as negociações sobre o marco regulatório do setor em março, e está finalizando as conversas com governadores e empresários.
De acordo com a fonte do Planalto, entretanto, o texto do novo marco deve levar cerca de dois meses para ser redigido, por causa da complexidade do tema. Neste caso, o projeto não chegaria ao Congresso antes de maio.

"É um tema que tem prioridade na agenda do governo neste ano", disse a fonte do Planalto, afirmando que o governo se esforçará para aprová-lo ainda em 2013.

Com o novo marco da mineração, o governo busca modernizar o código atual, que é da década de 1960.

Outro ponto importante do novo marco, segundo as fontes, é a criação de leilões para áreas estratégicas, como as de exploração de minério de ferro, pedras e metais preciosos, nióbio, potássio, terras raras, chumbo e cobre. Produtos para a construção civil, como brita, areia, água mineral e cascalho, não serão disponibilizados por meio de licitações.

Na mesma linha da verticalização do setor de mineração, outra ideia do marco regulatório é criar mecanismos de atração de fornecedores e metas de conteúdo local para substituir importações e gerar emprego e renda, tal como ocorre no setor de petróleo.

Por meio de leilões de áreas estratégicas, o governo estabelecerá regras de aquisição de conteúdo local para a exploração mineral, disse uma segunda fonte, que participou da elaboração da proposta.

Cautela 
A determinação da presidente é que se discuta as novas regras com todos os setores envolvidos, entre eles os governadores dos principais Estados produtores.

O Planalto redobrou a cautela para evitar problemas como o que ocorre com o texto da Medida Provisória 595, que trata das novas regras para o setor portuário --e que sofre grande resistência de alguns sindicatos.

Nos últimos dias, foram ouvidos os principais Estados produtores, como Minas Gerais, Pará e Bahia, mas outros governadores também devem ser recebidos no Planalto.

O Estado do Pará, segundo as fontes, tem sido o mais radical em pedir um percentual maior de royalties.

(Reuters Brasil)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
POLÍTICA MINERAL | Estado do Pará propõe à União revisão nas regras de compensação mineral

POLÍTICA MINERAL | Estado do Pará propõe à União revisão nas regras de compensação mineral

Helenilson Pontes (Vice-Governador), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Edson Lobão (MME). Foto: Carlos Silva/AG.PARÁ.

O governo do Pará apresentou na terça-feira (18/02) em Brasília (DF) um conjunto de reivindicações sobre a exploração mineral no Estado. Um documento elaborado pelo governo paraense, e assinado pelo governador Simão Jatene, foi entregue à ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann, pelo vice-governador e secretário especial de Gestão, Helenilson Pontes. A reunião foi convocada pela Casa Civil da Presidência da República, especialmente para ouvir as sugestões do Governo do Pará ao Marco Regulatório da Mineração, a ser votado ainda neste semestre no Congresso Nacional.

O documento é um diagnóstico sobre o setor da mineração no Pará, que servirá também aos demais Estados brasileiros produtores de minério, desde que respeitadas as peculiaridades de cada um. As reivindicações paraenses em documento oficial foram acertadas não apenas devido à proximidade da votação do Marco Regulatório da Mineração, mas também diante da expectativa de investimentos por parte de empresas estrangeiras do setor mineral, as chamadas “Junior Companies” (JC) - companhias de pequeno porte, especializadas em exploração de minérios em minas de baixa produtividade.

Segundo o secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Pará, David Leal, presente à reunião, há no mínimo dez empresas desse porte interessadas na exploração mineral no Pará, sendo a maioria do Canadá. As JC devem investir no mercado estadual, apenas na fase de sondagem, cerca de US$ 100 milhões, gerando um total de seis mil empregos diretos e indiretos, e produzindo anualmente um volume de 31 a 62 toneladas de minério, principalmente ouro.

No ano passado, o Pará se manteve na segunda colocação no ranking nacional de exportação de minérios, com mais de US$ 10 bilhões negociados com o comércio exterior - atrás apenas do Estado de Minas Gerais, com US$ 16 bilhões. Segundo David Leal, com um potencial de investimento desse porte, é fundamental que as regras da compensação pela exploração mineral sejam revistas, para que o Estado possa ter maior poder financeiro para investir principalmente em obras e serviços que beneficiem a população, notadamente as mais afetadas pela exploração.

Além do vice-governador e da ministra Gleise Hoffmann, participaram da reunião o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão; o advogado geral da União, Luís Adams; técnicos do Ministério das Minas e Energia e da Casa Civil, e os secretários estaduais David Leal (Seicom), José Alberto Colares (Secretria de Meio Ambiente) e Nilo Noronha (secretário interino da Fazenda).
 
REINVINDICAÇÕES

Antes de entregar o documento aos ministros, o vice-governador detalhou cada uma das 20 reivindicações do Pará quanto à exploração mineral. Dentre elas se destacam: a participação no resultado da lavra em terras públicas estaduais federalizadas, garantindo aos Estados que tiveram terras públicas passadas à União por questões de segurança nacional o direito de receberem uma Participação no Resultado da Lavra (PRL), no percentual hoje previsto de 50% do valor da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais); o prazo para concessão de lavra, que segundo o governo do Pará deve ser de 20 anos; a participação dos Estados na definição de novas áreas de concessões, investimento mínimo e inclusão social, para que novos projetos de exploração respeitem as peculiaridades e necessidades econômico-sociais de cada Estado; assento no Conselho Nacional de Política Minerária para os Estados com participação superior a 20% do PIB (Produto Interno Bruto) Mineral do país; maior participação dos Estados na definição de reservas minerais estratégicas; assegurar aos Estados mineradores o direito ao recebimento de uma participação especial devida nos casos das grandes minas (como Carajás), a exemplo do que ocorre com a exploração de petróleo; Taxa de Fiscalização Mineral, assegurando na nova lei o direito de Estados e municípios cobrarem taxas para ressarcimento do impacto ambiental decorrente da exploração, e garantia de um adicional de 50% na CFEM para atender as demandas por serviços públicos, como escolas, hospitais, postos de segurança etc., principalmente nos Estados da Amazônia mais afetados negativamente pela exploração mineral.

Gleise Hoffmann recebeu o documento e, com o aval do ministro das Minas e Energia, disse que dará ao Estado do Pará, em algumas semanas, uma resposta às reivindicações. Segundo a ministra, é importante saber que há governos estaduais interessados em contribuir positivamente com a nova lei de exploração mineral, visando o bem estar da população.
 
PIB Mineral

O vice-governador Helenilson Pontes agradeceu a oportunidade e destacou o interesse do governo federal em receber e ouvir as reivindicações do Pará. Ele disse que o Estado tem, hoje, o segundo maior PIB mineral do Brasil, e caminha para ser o primeiro. A discussão desses pontos, ressaltou Helenilson Pontes, “não se resume a rever royalties”, mas sim “respeitar os interesses de um Estado com um subsolo tão rico e tão penalizado com a exploração mineral”.

O Pará, completou o vice-governador, tem um casamento indissolúvel com a pesquisa, a exploração mineral e a geração de energia por hidrelétricas, por isso tem de assumir esse protagonismo e, cada vez mais, ser ouvido sobre essas questões.

(Agência Pará)
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
POLÍTICA MINERAL | Governo retoma diálogo com mineradoras para fechar marco regulatório

POLÍTICA MINERAL | Governo retoma diálogo com mineradoras para fechar marco regulatório


Ministro Edison Lobão (MME) e Ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Foto: Paulo H. Carvalho/Casa Civil/PR
O governo brasileiro retomou diálogo com a iniciativa privada para a finalização do novo marco da mineração, após pelo menos um ano de silêncio, afirmaram fontes que participaram de reuniões sobre o tema na Casa Civil à agência de notícias Reuters.

A ministra Gleisi Hoffmann recebeu representantes da indústria de mineração em reuniões individuais nas últimas semanas, e uma nova rodada de encontros com as mesmas lideranças deve ocorrer nos próximos dias, disseram duas fontes à Reuters.

Uma fonte, que não quis ser identificada, disse que a reaproximação foi entendida como uma retomada do diálogo que estava interrompido desde a suspensão das outorgas de mineração, há mais de um ano.

O governo brasileiro congelou a emissão de outorgas de mineração em meio ao processo de elaboração do novo marco regulatório do setor, em medida que paralisava até setembro processos de 11 mil requerimentos de concessões de lavra e impedia a começo de produção de pelo menos 50 minas no país.

Um dos objetivos do governo brasileiro com a nova legislação é mudar o critério de aquisição de concessões minerárias, com a criação de leilões para áreas consideradas estratégicas. Até então, quem solicitava a outorga primeiro conseguia a licença, provocando filas nos escritórios do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) espalhados pelo país.

Outras medidas que podem constar do texto a ser enviado ao Congresso Nacional são a fixação de prazos exploratórios e a criação de uma agência reguladora para o setor, tal como no setor de petróleo.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que também participa do processo, afirmou no dia 4 de fevereiro que o governo enviará o marco ao Congresso em março.

Segundo as fontes que participaram das reuniões na Casa Civil, a ministra solicitou dados e informações a representantes da indústria, que ficaram de retornar com as respostas. 

(Folha de S. Paulo/Reuters)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
POLÍTICA MINERAL | Bispos debatem elaboração do marco regulatório da mineração

POLÍTICA MINERAL | Bispos debatem elaboração do marco regulatório da mineração

Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz (Fonte: CNBB)
A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz apresentou na manhã de quarta-feira, 06 de fevereiro, a questão da elaboração do marco regulatório da mineração no Brasil. A CNBB já tentou participar deste debate junto ao governo federal, mas até agora não conseguiu resposta de participação.

O presidente da Comissão, dom Guilherme Werlang, explicou que a questão envolve o tema das terras indígenas, quilombolas e também a preservação do meio ambiente. “A discussão, até agora, está apenas no nível dos grupos econômicos”, reforçou dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB.

Um dos convidados para apresentar o assunto aos bispos, o padre Dario Bossi, do movimento Justiça nos Trilhos, falou da relevância do assunto. “Não conseguimos entrar ainda nesta discussão, ou participar do diálogo para tornar transparente o debate deste novo marco regulatório”. O debate atual prevê uma legislação mais flexível em certas áreas de extração mineral, com o argumento do interesse nacional.

Alessandra Cardoso, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, entregou ao episcopado o resultado de um estudo com dados detalhados sobre o impacto do tema. Dom Guilherme apresentou, em nome da Comissão, a proposta de que a CNBB apresente uma manifestação pública sobre a questão, por meio de carta.

Os bispos debateram a proposta e decidiram que será apresentada uma carta, com conteúdo didático, dirigida ao Congresso Nacional, à Presidência da República e ao Supremo Tribunal Federal. O texto, porém, será apreciado no encontro do Conselho Permanente da entidade, no início de março.
 
(CNBB/Comissões Episcopais)
domingo, 3 de fevereiro de 2013
POLÍTICA MINERAL | Brasil pode criar agência para regular exploração mineral

POLÍTICA MINERAL | Brasil pode criar agência para regular exploração mineral



A atividade é polêmica: se, por um lado, contribui para a economia do País, por outro, provoca a destruição de comunidades indígenas e do meio ambiente

Um dos objetivos do novo marco regulatório é reduzir o impacto ambiental da mineração.

Estima-se que, atualmente, de 300 mil a 500 mil pessoas trabalhem em garimpos no País. A Constituição Federal (artigo 174) determina que o Poder Público deve favorecer a “organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social” dos operários. Essa é, portanto, uma das principais bases legais para a extração mineral.

Para corrigir rumos e ajustar o setor à regra constitucional, o Executivo trabalha na elaboração do novo marco regulatório da mineração, a ser enviado ao Congresso - o código em vigor é de 1967 (Decreto-Lei 227/67). Pela proposta do governo, serão criados um conselho e uma agência nacional para reforçar o papel regulador e de fiscalização do Estado.

A criação de um ambiente de segurança jurídica para atrair investimento privado também faz parte dos planos, como explica o ex-secretário de geologia e mineração do Ministério de Minas e Energia Claudio Scliar, que participou da elaboração do texto. “O grande desafio da nova agência será manter a competitividade do mercado de minérios. Queremos que o Brasil continue sendo um país onde a pesquisa e a extração mineral sejam bem-vindas e que a agência permita fazer esse controle, a fim de que as atividades não fiquem paralisadas por anos e anos”, diz.

Impacto ambiental

Scliar acrescenta que um dos objetivos da nova legislação é reduzir o impacto ambiental da mineração. “Indiretamente, a organização do setor mineral da forma como estamos propondo vai resultar em uma extração sustentável, porque é esse controle do Estado que viabiliza que todas as atividades econômicas possam ser benfeitas legalmente”, declara.

Para a região amazônica, por exemplo, será dada ênfase ao macrozoneamento ecológico-econômico da Amazônia Legal para consolidar os diferentes usos do solo e do subsolo, tendo como base os estudos da biodiversidade e da geodiversidade local. Essas ações estão sendo articuladas pelos Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia.

Garimpos clandestinos

Na repressão aos garimpos clandestinos, o foco do marco regulatório, segundo Scliar, estará no incentivo à formalização, ou seja, na conscientização dos garimpeiros de que a mineração pode ser um vetor de desenvolvimento regional.

“Algumas situações, muitas vezes e infelizmente, se tornam questões policiais, como em terras indígenas ou invasões de áreas onde é proibida a atividade extrativa mineral, como parques nacionais. Mas há muitas outras regiões nas quais o papel do ministério era o de contribuir para a regularização, a formalização da atividade dos pequenos produtores no Brasil, entre os quais estão os garimpeiros”, comenta.

Esse esforço pela formalização da atividade pode ser vista em Lourenço, distrito do município de Calçoene, no norte do Amapá, que vive praticamente do garimpo. A extração do ouro por lá está em fase final de legalização, coordenada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão que libera a permissão de lavra garimpeira. Para consegui-la, os trabalhadores se organizaram em cooperativas, como manda a Constituição.

“Hoje, trabalhamos com 1.200 cooperados, com base em duas portarias de lavras concedidas pelo DNPM e uma área em torno de 7 mil hectares, onde os garimpeiros estão agregados. Temos uma comunidade de quase 5 mil pessoas que dependem e sobrevivem do garimpo”, informa o presidente da Cooperativa de Lourenço, Antônio Pinto.

Termo de Ajustamento de Conduta

O Ministério Público (MP) supervisiona a extração do ouro em Lourenço e determinou algumas condicionantes para o funcionamento do garimpo por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), sobretudo quanto a questões ambientais e de segurança do trabalho.

Conforme Antônio Pinto, o TAC impôs a contratação de empresa terceirizada para suprir o garimpo de alguns profissionais, como engenheiro de mina, engenheiro ambiental, técnico de segurança e técnico de mina. “Agora, estamos trabalhando e cumprindo as condicionantes do MP. Está sendo muito bom para nós, porque a gente vem cumprindo as metas, apesar de os gastos serem grandes”, declara o dirigente da cooperativa.

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