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quarta-feira, 9 de setembro de 2015
MINERAÇÃO | Marabá bate recorde histórico com royalties

MINERAÇÃO | Marabá bate recorde histórico com royalties


No dia 7 de Setembro, o município de Marabá recebeu, por meio da conta-corrente de sua prefeitura municipal, R$ 4.527.327,95 em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), referente à extração de minérios do mês de julho. O montante é o maior já recolhido por Marabá desde que a Cfem começou a ser paga no Brasil por força de lei.

No município, os maiores pagadores de royalties são a mineradora multinacional Vale, que explora cobre em concentrado via projeto Salobo, e a empresa Buritirama, que extrai manganês em projeto que leva o nome da mineradora.

Os R$ 4,5 milhões recebidos por Marabá são superiores aos royalties arrecadados pelo município durante todo o ano de 2010. No acumulado deste ano, já são R$ 27.723.138,55 depositados na conta da prefeitura local, mas até o dia 7 de dezembro cerca de R$ 10 milhões ainda vão agitar a mesma conta bancária, oriundos da lavra dos meses de agosto, setembro e outubro.


O ano de 2015 consolida Marabá no cenário da indústria extrativa mineral. Nele, o município ultrapassou Canaã dos Carajás como o maior receptor de royalties de cobre e se firmou como o maior produtor do mesmo metal no país.

Atualmente, dos 2.486 municípios mineradores do Brasil, Marabá ocupa a sétima colocação em movimentação de recursos, com a impressionante cifra de R$ 1.953.675.043,43, referente ao período de janeiro a agosto deste ano. Em termos comparativos, é possível dizer que apenas o que se movimentou em mineração em Marabá é superior à produção de riquezas de 5.265 municípios brasileiros. Apenas o vizinho Parauapebas e os mineiros Nova Lima, Mariana, Congonhas, Itabira e Itabirito realizam operações minerárias maiores.

Porém, enquanto as operações de Marabá crescem, por se tratar de cobre em concentrado, as dos primeiros colocados despencam, porque todos eles têm no minério de ferro o motor propulsor de sua geração de riquezas, e o produto não anda em seus melhores dias.


ECONOMIA X SOCIEDADE

Se a produção marabaense vai enfeitando a balança comercial Brasil afora, amparada majoritariamente por cobre, Marabá adentro o bicho pega. É o que revela o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em pesquisa divulgada no início da semana passada. Por meio do estudo "Atlas da Vulnerabilidade Social", a partir do qual foi criado o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), um indicador que mede o grau de exclusão social nos municípios, fica claro que a geração de riquezas marabaense está distante da realidade de grande parte da população.

Gargalos em saneamento básico, distribuição de renda e mortalidade infantil dão o tom de subdesenvolvimento a um dos municípios economicamente mais promissores da Amazônia. Conforme os indicadores do Ipea, a situação social de Marabá é equivalente à do Brasil no início da década passada, isto é, um atraso de dez a 15 anos em relação à média nacional, num Brasil que não é lá modelo de adiantamento social.

Marabá, a "Rainha do Tocantins", vive – com suas riquezas naturais e suas mazelas – o eterno drama da Viúva Porcina, personagem pitoresca na trama "Roque Santeiro", sucesso da teledramaturgia de 1985, ano em que o primeiro carregamento de minério foi realizado via Estrada de Ferro Carajás (EFC). É simplesmente aquela que foi (economicamente rica) sem nunca ter sido (socialmente desenvolvida).


Parauapebas amarga pior arrecadação em cinco anos

Da dependência do Brasil em relação às ordens da Europa, há dois séculos, para a dependência crônica de Parauapebas em relação à mineradora multinacional Vale atualmente, pouca coisa mudou – e, em verdade, só o modo de operação, com uma maquiada tecnológica aqui e acolá na tática de exploração.

Há pelo menos 24 anos, o dia 7 de cada mês é um dos mais aguardados pela Prefeitura Municipal de Parauapebas por motivo nada independente: nesse dia, a conta amanhece abastecida com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), os royalties que a mineradora Vale é obrigada a pagar, por força da Constituição de 1988. A Cfem foi regulamentada, de fato, pelas leis 7.990, de 1989, e 8.001, de 1990, e enfatizada pelo primeiro decreto presidencial assinado no ano de 1991.

Desde 1991, a mineradora Vale compensa o município de Parauapebas em valores variáveis, que, primeiramente, vão parar na conta do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Com o dinheiro em mãos, o DNPM, órgão do Governo Federal, tira logo sua parte, de 12%, que será rateada em 2% para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e outros 2% para o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Em seguida, a conta administrada pelo governador Simão Jatene, no Palácio dos Despachos, em Belém, recebe do DNPM 23% dos royalties recolhidos em Parauapebas. É a parte que cabe ao Estado onde o município produtor de minério se localiza.

Por último, geralmente no dia 7 ou 6, caem os 65% de cota-parte devidos ao município de Parauapebas, sociedade mais interessada nisso tudo – ao menos, teoricamente.

Muito desejados tempos atrás, os royalties já não são mais motivo de orgulho e prazer. Num passado não muito distante, o dia 7 era sinônimo de conta abarrotada para a prefeitura local porque os royalties eram a principal fonte de recursos. De certa forma, era vantajoso e atrativo para o município ser economicamente dependente do minério.

Porém, como cantaria Nelson Ned, se vivo estivesse, num de seus clássicos de 1969: "Mas tudo passa tudo, passará; e nada fica, nada ficará". E, em 2015, os royalties chegaram a seus valores mais críticos dos últimos 5 anos, mesmo com a extração de minérios tendo aumentado quase 20% no período, saltando de 101,17 milhões de toneladas (Mt) em 2010 para 119,66 Mt em 2014.

A selvageria na produção de minério de ferro pelas maiores mineradoras do mundo e a desaceleração da demanda China, maior compradora do globo, derrubaram os preços da commodity, e isso afetou diretamente a economia parauapebense, extremamente dependente num 7 de Setembro de "independência".


Fonte da riqueza no Pebas está quase seca

O município de Parauapebas, grande locomotiva da economia paraense em razão da indústria extrativa de minério de ferro, está desacelerando, quase parando. A cada dia de 2015, as estatísticas econômicas para a "Capital do Minério" são as piores possíveis.

O mês de agosto, entrou para a história como o do desgosto nas finanças municipais: os royalties de mineração chegaram ao menor valor desde junho de 2010. O impacto disso é catastrófico para todos os seus habitantes.

Em agosto, a conta-corrente da Prefeitura Municipal de Parauapebas recebeu como mesada "míseros" R$ 7.250.086,39. O menor valor antes desse, recebido em junho de cinco anos atrás, foi de R$ 5.889.328,09. Na prática, à medida que a arrecadação de royalties volta no tempo, as demandas sociais aumentam e terão de ser, impiedosamente, empurradas com a barriga, à espera de bons tempos ou de se contar com a sorte.

Em 2010, quando a arrecadação média mensal era de R$ 11,5 milhões, a população municipal era de 154 mil habitantes. De lá para cá, Parauapebas ganhou 36 mil novos moradores (praticamente um Canaã dos Carajás inteiro de gente para afogar ainda mais a demanda por serviços sociais básicos), mas se vê às voltas com uma arrecadação média de R$ 12,4 milhões. Proporcionalmente, o recolhimento médio da Cfem não acompanhou a evolução populacional.

Na comparação com 2011, 2012, 2013 e 2014, o ano atual se mostra um verdadeiro retrocesso financeiro para Parauapebas.

No dia 7 de Setembro, Parauapebas recebeu R$ 11.448.358,13. No acumulado do ano, são R$ 111.363.657,16 recolhidos pela prefeitura. Só que esse valor é "mixaria" perto dos R$ 128.023.565,36 recolhidos apenas no mês de fevereiro de 2013, denotando o quanto o município vem remando contra a maré.

O município deve encerrar este ano com R$ 148,5 milhões de royalties recolhidos, o menor valor – até então – da década.


População está ficando cada dia mais endividada

A população parauapebense está pelo fio da navalha, isto é, a cada dia ficando mais falida e endividada, revelam dados de uma pesquisa do Serasa Experian, por meio de seu mapa da inadimplência. Entre os municípios da região, Parauapebas lidera em quantidade de pessoas com o nome "sujo", aquelas que deixaram de pagar as contas em dia.

Uma lida atenta nos editais publicados em jornais impressos locais, e são contabilizados dezenas de nomes de pessoas que devem terrenos comprados em prestações a perder de vista. Há casos em que uma mesma pessoa deve, em seu CPF, dois, três, quatro terrenos e é citada por inadimplência. É uma exposição ao ridículo desnecessária, mas vá dizer isso às imobiliárias gananciosas, que movimentaram a expectativa de milhares de pessoas, as quais meteram a cara na compra de lotes para abrir "negócios" e creram, inadvertida e piamente, que a multiplicação de quitinetes Parauapebas adentro seria uma fonte de renda sustentável – perspectiva que começou a ser frustrada em 2013 e, de maneira mais severa, a partir de 2014.

À medida que se endivida, a população parauapebense se atola em impostos: do primeiro dia deste ano até hoje, R$ 390 milhões pagos, quantia com a qual seria possível construir mais de 11.135 casas de 40 metros quadrados cada, conforme informa o portal do Impostômetro.

Além das dívidas na praça e de mais e mais contas (leia-se: impostos) a pagar, a população de Parauapebas vai perdendo emprego, e o município bate todas as taxas da região em índice de desocupados. De antiga "terra do trabalho", Parauapebas vai se tornando terra de desempregados, cuja consequência mais imediata é a elevação de todos os indicadores de violência. Não à toa, vem figurando, desde 2010, como um dos municípios mais assassinos do Pará, poucas mortes atrás de Ananindeua, Marabá e Altamira. Também é um "centro próspero" de ladrões e de "dois na moto preta", que geralmente atacam à noite para tomar celular e o que mais o cidadão tiver, inclusive a dignidade.

Essa é apenas uma das características de empobrecimento de um município tão rico em recursos naturais e que, por isso, tem todos os ingredientes para ser independente e autossustentável. Mas jamais encontrou o caminho, a não ser o das pedras não preciosas. 
 
(Surgiu)
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
MINERAÇÃO | Vale obtém liminar para retomar mineração em Onça Puma

MINERAÇÃO | Vale obtém liminar para retomar mineração em Onça Puma


A Vale informou na quarta-feira (02/09) que obteve liminar suspendendo a decisão judicial que paralisava as atividades de mineração do empreendimento de níquel de Onça Puma, no Pará, desde meados do mês passado.

A mineradora disse ainda que foi suspensa a determinação para o pagamento de 3 milhões de reais para as Associações Indígenas Xikrin do Catete, que constava da mesma sentença.

Segundo a decisão anterior, do Tribunal de Regional Federal (TRF) da 1ª Região, as operações da Vale teriam que ficar suspensas até a companhia comprovar que foram tomadas medidas compensatórias para os indígenas.
 
A mineradora disse, em nota, que uma análise da água do rio Cateté, que banha terras indígenas, não demonstrou a contaminação por níquel e que a presença de elementos dissolvidos decorre da condição geológica da área.

"Assim, eventuais prejuízos à qualidade da água não têm qualquer relação com a atividade da Vale na região", disse a mineradora.

A decisão que determinou a imediata suspensão das atividades era de 6 de agosto, mas foi publicada no Diário Oficial da Justiça em 14 de agosto.

A Vale não informou o volume que deixou de ser produzido durante a suspensão, nem a data exata da retomada das atividades em Onça Puma.

A produção de níquel da Vale em Onça Puma somou 5,9 mil toneladas no segundo trimestre de 2015, pouco menos de 10 por cento do total produzido pela mineradora no período.

A Vale, maior produtora global de minério de ferro do mundo, está entre as maiores também em níquel, com operações no Canadá, Indonésia e Nova Caledônia, além do Brasil.
 
(EXAME)
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
DNPM | Setor de rochas ornamentais cobra simplificação de normas

DNPM | Setor de rochas ornamentais cobra simplificação de normas


A exploração de rochas ornamentais está represada pela ineficiência do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), conforme afirmaram representantes de empresas do setor, em debate nesta quarta-feira (2) na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).

— O DNPM se limita a controlar e fiscalizar a atividade da mineração, e faz com ineficiência sua missão fundamental de fomentar e planejar, devido à desestruturação orçamentária, que leva à insuficiência de recursos humanos e tecnológicos — disse Reinaldo Dantas Sampaio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais.

Rochas ornamentais, como granitos e mármores, são utilizadas como material para revestimento, principalmente em pisos, paredes e bancadas. O setor concorre com revestimentos cerâmicos, explicou Sampaio, e está sujeito às tendências da arquitetura e decoração, característica que o diferencia das grandes explorações minerais de ferro e ouro, por exemplo.

— A indústria de rochas ornamentais faz um esforço hercúleo de prospectar, desenvolver e lavrar novos materiais de maneira sistemática. E essa incessante busca por novas áreas nos torna o setor mais demandante das atividades do DNPM — frisou.

No mesmo sentido, Tales Pena Machado, presidente do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Estado do Espírito Santo, contou que pode chegar a dois anos a espera por autorização para exploração de uma jazida, tempo muito longo para um mercado sazonal, sujeito a grande pressão por novos produtos.
 
Potencialidades

O Brasil reúne pelo menos 1,2 mil variedades de rochas ornamentais, segundo o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), autor do requerimento para realização do debate. São cerca de dez mil empresas, que geram 120 mil empregos diretos e 360 mil empregos indiretos, informou o parlamentar.

A baixa capacidade do DNPM em atender a demanda dessas empresas, na avaliação de Ricardo Ferraço, é hoje um obstáculo ao avanço da exploração da grande diversidade mineral do país.

— Enquanto a mineração caminha em uma direção, a estruturação do DNPM caminha em outra. Apesar do esforço dos profissionais, o DNPM se transformou num gargalo e uma ameaça à prosperidade da mineração — disse Ferraço.
 
Empresários

Uma das saídas apontadas pelos empresários foi a transferência aos municípios da prerrogativa de autorizar a exploração de lavras. Além da municipalização, José Antônio Guidoni, presidente do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais, sugeriu também a simplificação das normas para autorização.

DNPM
 
De acordo com Celso Luiz Garcia, diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral, o órgão já estuda formas de simplificar os procedimentos, “para encurtar caminho e dinamizar o setor”, até que se aprove nova legislação para a área.

Celso Garcia, em sua apresentação, destacou a situação atual do DNPM, informou que tem uma agenda positiva para o órgão e que está com um plano em andamento para o Espírito Santo e que este Plano servirá para todo o Brasil. Este Plano vem dinamizar as ações da Superintendência do DNPM no ES e consequentemente as outras Superintendências espalhadas por todo o território nacional e que também está destacando nesse momento uma Força Tarefa ao Espírito Santo com o objetivo de diminuir o passivo processual naquele Estado.
 
O diretor-geral pediu aos parlamentares empenho para a aprovação do marco regulatório da mineração, que prevê a criação de uma agência reguladora. A proposta (PL 5807/2013), apresentada pelo Executivo, tramita na Câmara dos Deputados há dois anos.

MME
 
Também Carlos Nogueira da Costa Junior, secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, apontou vantagens no novo marco regulatório, como o tratamento simplificado dos processos de exploração de rocha ornamentais.

Apesar de reconhecer as deficiências do órgão responsável pelo setor, Carlos Nogueira apontou resultados obtidos com a adoção de medidas adotadas este ano, para agilizar os procedimentos.

— De janeiro a agosto, emitimos 390 portarias de lavras, mais do que o dobro das emitidas no ano passado — disse.

SENADO
 
Por sugestão de Ricardo Ferraço e Wilder Morais (DEM-GO), deverá ser criado um grupo de trabalho formado por parlamentares, empresas e Executivo, para buscar soluções de curto prazo que desafoguem as demandas do setor. A iniciativa foi apoiada pelos senadores Lasier Martins (PDT-RS), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Wellington Fagundes (PR-MT) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE).
 
(Agência Senado/DNPM)
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