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quinta-feira, 29 de maio de 2014
MINERAÇÃO | Seminário em Roraima discutiu mineração em terras indígenas

MINERAÇÃO | Seminário em Roraima discutiu mineração em terras indígenas


Na busca de saídas para frear a ânsia das mineradoras e as investidas do governo federal contra os direitos, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) realizou entre os dias 20 e 22, na aldeia Tabalascada, município de Cantá, um seminário com a presença de procuradores federais, pesquisadores e de lideranças indígenas de áreas afetadas pela exploração mineral e impactadas por obras governamentais.

No início do último mês de abril, o CIR divulgou nota de repúdio contra a autorização prévia para pesquisas minerais em terras do estado de Roraima, emitida pelo Conselho de Defesa Nacional, instância ligada à Presidência da República, conforme publicado no dia 24 de fevereiro no Diário Oficial da União e divulgado na imprensa local. Na nota, o CIR destacava que “o fato representa mais uma vez que o Estado brasileiro continua a mercê dos poderes políticos e econômicos que visam gerar lucros milionários à custa das terras indígenas, desrespeitando totalmente os direitos constitucionais”.

Em Roraima, os povos indígenas conhecem com bastante propriedade os efeitos da exploração mineral em seus territórios. A atividade garimpeira levou para aquele estado milhares de homens e mulheres de várias regiões do Brasil, sobretudo nordestinos. Porém, a grande massa acabou por se fixar na periferia da cidade, formando um exército de mão de obra de reserva explorada por toda sorte de aventureiros.

Em meados da década de 1980, na ocasião em que o governo de José Sarney desenvolvia o Projeto Calha Norte, mais de 30 mil garimpeiros foram levados para o interior das terras dos Yanomami. O saldo da violência cotidiana foi mais de três mil indígenas assassinados, exploração sexual, transmissão de doenças, destruição ambiental entre tantos outros crimes que ali se cometiam sem nenhum tipo de punição. Correu pelo mundo afora a notícia de que as doenças e as balas dos garimpeiros estavam levando os Yanomami à extinção. Em agosto de 1993, no caso que ficou conhecido como “massacre de Haximu”, doze yanomamis foram mortos por garimpeiros.

Na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, dos Makuxi, Wapichana, Ingaricó, Taurepang e Patamona, vários vilarejos se formaram em torno dos lugares onde era explorado ouro e diamante. Durante muitos anos aqueles povos viveram sob tensão provocada pela ida e vinda dos garimpeiros, com exploração sexual das jovens, comércio ilegal de bebidas alcoólicas e toda sorte de interferência na cultura. A cada vez que os indígenas resistiam à presença dos invasores, tornavam-se alvos da discriminação fermentada pelo ódio de empresários e da classe política massificado pelos veículos de comunicação de Roraima.

A nota divulgada pelo CIR revela a inquietação com as mais recentes articulações dos empresários do setor mineral para apressar a liberação das terras indígenas para pesquisa e exploração. Atualmente, circula no Congresso Nacional proposta para regulamentar o parágrafo primeiro do artigo 176 e o parágrafo terceiro do artigo 231 da Constituição Federal. Na Câmara dos Deputados tramita o Projeto de Lei número 1610/96, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB/RR), que tem por fim regularizar a exploração mineral em terras indígenas.

Empresários e governo têm pressa. Como consequência vão sendo atropeladas a Constituição, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e outras leis que contemplam os povos indígenas.

(CIMI/J. Rosha)
 
Leia também:

Posição da Hutukara Associação Yanomami sobre a mineração em terras indígenas
                                                               
Davi Kopenawa Yanomami

Presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY)

Vocês, brancos, dizem que nós, Yanomami, não queremos o desenvolvimento. Falam isso porque não queremos a mineração em nossas terras, mas vocês não estão entendendo o que estamos dizendo. Nós não somos contra o desenvolvimento: nós somos contra apenas o desenvolvimento que vocês, brancos, querem empurrar para cima de nós. O desenvolvimento que vocês falam em nos dar não é o mesmo que conhecemos: vocês falam em devastar a nossa terra-floresta para nos dar dinheiro, falam que somos carentes, mas esse não é o desenvolvimento que nós conhecemos. Para nós desenvolvimento é ter nossa terra com saúde, permitindo que nossos filhos vivam de forma saudável num lugar cheio de vida.

Nós Yanomami entendemos muito bem sobre esse assunto e ficamos apenas preocupados com aqueles que dizem representar todo nosso povo e pedem por mineração. São pessoas que ficam pensando como as mineradoras funcionam, pensam que elas não devastam a floresta, mas não entendem o que realmente vai ocorrer. A mineração não é como o garimpo, não são pessoas que entram na floresta e degradam apenas algumas regiões. A mineração precisa de estradas para transportar os minérios, precisa de grandes áreas para guardar a produção, precisa de locais para alojar os funcionários, fará grandes buracos na terra que não deixarão a nossa floresta voltar a se recuperar.

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Seminário sobre Mineração e Hidrelétricas em Terras Indígenas - Declaração da Tabalascada

Nós, lideranças indígenas Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Ye’kuana, Yanomami do Brasil, lideranças indígenas Arauak, Wapichana, Akawaio da Guiana Inglesa, e lideranças indígenas Ye’kuana, Uwottuja, Yanomami, Yabarana e Baré da Venezuela, juntamente com nossas organizações indígenas Conselho Indígena de Roraima – CIR, Hutukara Associação Yanomami – HAY, Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos – APITSM, Conselho do Povo Ingarikó – COPING, Organização Regional dos Povos Indígenas do Amazonas – ORPIA, Horonami – Associação Yanomami da Venezuela, Organização de Mulheres de Aisharatoon, organizações aliadas como o Instituto Socioambiental – ISA e Conselho Indigenista Missionário – CIMI, e demais convidados, reunidos no Seminário sobre Mineração e Hidrelétricas em Terras Indígenas realizado nos dias 20 a 22 de maio de 2014 na Comunidade Indígena Tabalascada, região Serra da Lua, Roraima – Brasil, afirmamos que a Mineração e Hidrelétricas atingem a vida dos povos indígenas e que Mineração e Hidrelétricas andam juntas! Sem Hidrelétricas não tem Mineração.

Os benefícios alegados por quem defende a mineração e as hidrelétricas não são os benefícios que queremos ter. Para nós o que tem importância é a terra, a vida, as florestas, os animais, a cultura, a tranquilidade e nossa forma de vida garantida para nossas futuras gerações.

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(CIMI)
quarta-feira, 28 de maio de 2014
LICENCIAMENTO | Licença prévia do Alumina Rondon é entregue à Votorantim Metais

LICENCIAMENTO | Licença prévia do Alumina Rondon é entregue à Votorantim Metais


Na última sexta-feira (23), em Rondon do Pará, o secretário de Estado de Meio Ambiente, José Colares, entregou às lideranças da Votorantim Metais a licença prévia do Alumina Rondon, projeto que prevê a implantação de mina de bauxita e refinaria de alumina em Rondon do Pará. O empreendimento havia sido aprovado de forma unânime pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (COEMA), que considerou o projeto ambientalmente viável, durante reunião ocorrida em abril.

“A entrega da licença prévia representa o início de uma nova etapa do Alumina Rondon. A partir de agora, nos empenharemos no processo de obtenção da licença de instalação. A grande participação popular nas audiências públicas e ontem, na entrega da licença, é um sinal de que a população de Rondon do Pará está engajada no projeto”, avalia Sérgio Oliveira, coordenador de Sustentabilidade do Alumina Rondon.

Se comparado a outros empreendimentos da cadeia de alumínio no Estado, um dos grandes diferenciais do projeto é a integração da mina de bauxita com a refinaria de alumina. Na primeira fase do empreendimento, a produção de bauxita lavrada será de 7,7 toneladas por ano, e de alumina será de três toneladas por ano. O Alumina Rondon contará com um complexo industrial moderno com elevados padrões de segurança e meio ambiente. No processo industrial da refinaria, os resíduos serão empilhados a seco e a água reutilizada.

Qualificação

A contratação e a capacitação de mão de obra e de fornecedores priorizarão a população e empresários locais. Desde o segundo semestre de 2013, a Votorantim Metais está realizando uma série de qualificações que visam formar profissionais para o mercado de trabalho do sudeste paraense e para as etapas de construção e operação do Alumina Rondon. Os cursos são executados em parceria com as prefeituras de Rondon do Pará e Abel Figueiredo; SENAR, IFPA, SENAI, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Ministério da Educação, via Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec.

A expectativa é que, entre 2014 e 2015, sejam capacitados mais de sete mil moradores de Rondon do Pará, Dom Eliseu e Abel Figueiredo. “A qualificação da mão de obra local faz parte da atuação da Votorantim Metais nos municípios onde a empresa está presente e, quanto mais profissionais capacitados tivermos na região, maiores são as chances de inserção de moradores no mercado de trabalho e contratação pelo projeto”, explica Sérgio Oliveira.

Em 2013, a Votorantim Metais também assinou o protocolo de intenções com a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração (SEICOM) para desenvolvimento de fornecedores, dentro do Plano Estadual de Atração de Novos Negócios. A empresa prevê, ainda, estabelecer uma parceria com o SEBRAE e o programa REDES (Rede de Desenvolvimento de Fornecedores do Pará) da FIEPA (Federação das Indústrias do Estado do Pará) para qualificar as empresas da região.

Apoio à Gestão Pública

Em Rondon do Pará, a Votorantim Metais está desenvolvendo o Programa de Apoio à Gestão Pública, uma iniciativa do Instituto Votorantim e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com a Prefeitura de Rondon do Pará. O programa contempla projetos relacionados à melhoria da Gestão Pública Municipal e Planejamento Físico e Territorial (Plano Diretor, Plano de Saneamento, Plano de Mobilidade e Plano de Habitação).

Os projetos de Modernização da Gestão Pública visam qualificar a administração municipal para elaborar propostas para melhoria geral dos setores sociais básicos, tais como a área tributária, educação, saúde e assistência social, bem como qualificar servidores para gerir a aplicação dos recursos captados. E os de Planejamento Físico e Territorial têm como objetivo apoiar o poder público municipal a viabilizar recursos federais para execução de obras de infraestrutura, como abastecimento de água, resíduos sólidos, esgotamento sanitário, drenagem e manejo de águas pluviais.

(Votorantim Metais)
quinta-feira, 22 de maio de 2014
AMAPÁ | Zamin Ferrous planeja retomada de operações

AMAPÁ | Zamin Ferrous planeja retomada de operações


Girimias Moura enfatizou, ainda, que a mineradora está atuando com agilidade com relação ao processo de licenças pendentes junto ao Governo do Estado do Amapá, para fazer com que a retomada de produção na usina, ocorra no mês de julho.

A Zamin Amapá, com operações no porto, no município de Santana, tem mantido as atividades operacionais com embarques feitos por meio de barcaças, que atracam no píer fixo da Zamin Amapá, onde foram instaladas correias transportadoras. As barcaças fazem a transferência do minério para embarcações localizadas na Companhia das Docas de Santana (CDSA) e no porto próximo ao balneário do Distrito de Fazendinha.

Girimias Moura fala do novo terminal portuário de minérios da Zamin. Segundo o gerente de operações da Zamin Amapá, o novo terminal portuário de minérios, será contemplado de uma tecnologia holandesa com a instalação de uma plataforma elevada que será fixada no fundo rio (Jack-up) e permitirá a atracação dos navios, substituindo o antigo píer flutuante.

Após o acidente ocorrido em março de 2013, cuja infraestrutura do porto utilizado para o carregamento do mineral de ferro extraído da mina do município de Pedra Branca do Amapari, foi destruída por um deslizamento, causando a morte de seis pessoas, a mineradora atua no fortalecimento das medidas de segurança do porto.

Após receber uma licença ambiental do Instituto de Meio Ambiente do Amapá (IMAP), a Zamin Amapá trabalha no processo de dragagem em sua área portuária, com vistas a aumentar a segurança no local, incluindo a construção de uma parede de diafragma, espécie de muro de contenção, na extensão da margem do Rio Amazonas, dentro da área da empresa.

O grupo Zamin opera no Brasil desde 2005, com as minas Susa, no Rio Grande do Norte (RN), e Greystone, na Bahia. No Estado, a mineradora já opera a Zamapá Mineração desde 2011, e com a aquisição do Sistema Amapá, o grupo será fortalecido com o principal empreendimento na produção de ferro.

O seminário "Amapá Logística e Offshore" realizado pelo Governo do Amapá, por meio da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), segue com debates acerca da exploração de petróleo na costa do Amapá, logística e infraestrutura portuária para a indústria de petróleo, gás e combustíveis, licenciamento ambiental para atividade portuária e offshore, controle e polícia da navegação, licenciamento da atividade portuária e uma visita às instalações portuárias.

(Agência Amapá/Amapá 247)
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