PARÁ | Sedip e Seicom promovem oficina sobre royalties da mineração em Parauapebas
![]() |
O Secretário Especial de Governo, Sidney Rosa (SEDIP), abriu a 8ª Oficina. Foto: ANDERSON SOUZA/DIVULGAÇÃO |
Qual o futuro da mineração no Pará? Mais do que responder a essa
pergunta, com interesse na atividade extrativista em si, o Governo do
Pará quer saber como a atividade pode colaborar para o aumento da
qualidade de vida dos paraenses. Foi com esse intuito que o secretário
Especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção (Sedip),
Sidney Rosa, abriu no auditório da prefeitura de Parauapebas a 8ª
Oficina Royalties e o Desenvolvimento Regional, realizada no último dia 20.
Promovida pela pasta de Sidney Rosa e executada pela Secretaria de
Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), a oficina faz parte do
processo de participação social para a composição do Plano de Mineração
do Estado do Pará. Esse documento vai nortear as políticas pública para a
gestão do setor, antecipando-se à revisão do marco legal de exploração
mineradora no Brasil, que está sendo reelaborado pelo Governo Federal e
será encaminhado ao Congresso Nacional em breve.
Sidney Rosa ressaltou que a população paraense deve ter conhecimentos
sólidos sobre a atividade mineradora, dada a sua importância para a
economia do estado. “Não importa o quão grande essa atividade é, nós
devemos conhecê-la em seus detalhes”, afirmou.
Com a
colaboração da Prefeitura Municipal, a oficina foi aberta com a
explanação da secretária adjunta da Seicom, Maria Amélia Enriquez, que
também é doutora em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de
Brasília (UNB) com trabalhos na linha de pesquisa da mineração. Ela
explicou os detalhes da nova legislação que tem sido discutida entre os
estados e o governo federal. Enriquez, inclusive, trabalhou no
Ministério de Minas e Energia durante oito anos, ajudando a construir o
plano nacional do setor, que deve ser implantado em breve.
Para Enriquez, a correção de algumas distorções na legislação, como a
cobrança de royalties em cima do faturamento bruto, pode aumentar em
muito os ganhos dos municípios mineradores e diminuir os prejuízos
promovidos atualmente pela legislação que desonera as exportações de
produtos não industrializados, ajudando assim a impulsionar o
desenvolvimento regional. Ela usou o caso de Parauapebas, que arrecada
em taxas e contribuições por participação no PIB do estado mais do que
Belém, como exemplo. “A grande questão é como esses recursos podem
contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população e para
diversificar a economia. Isso é importante, pois o ciclo do
desenvolvimento econômico do minério vai passar e o boom da mineração
deve ser aproveitado pela gestão municipal e estadual”, explicou a
doutora.
Para falar sobre o assunto, o Governo do
Estado levou a Parauapebas o ex-prefeito do município de Congonhas (MG),
Anderson Cabido, que é referência no Brasil sobre como a gestão
municipal pode contribuir para um melhor aproveitamento dos recursos
minerais. Hoje ele é presidente do Instituto de Desenvolvimento de
Territórios Mineradores (IDTM), braço social da Associação dos
Municípios Mineradores do Brasil (Amib).
Cabido
ressaltou a importância da participação comunitária no evento promovido
pela Prefeitura e pelo Governo do Estado. Mais de 200 pessoas lotaram o
auditório da Prefeitura. Ele ainda ressaltou a qualidade das
intervenções e disse que a previsão de esgotamento da reserva de
Carajás, prevista hoje para 80 anos de exploração, não deve ser
considerado como o prazo para o fim do ciclo minerador no município.
Este, ressaltou ele, pode se dar antes do esgotamento da reserva devido a
fatores econômicos globais, como a queda do preço do minério no mercado
internacional.
“Veja o caso do automóvel, já não
existe mais tanto ferro ou aço na composição de um automóvel. O ferro já
não é mais tão importante no processo de crescimento urbano em muitos
países. Com os avanços técnicos na elaboração de novos materiais e com a
tecnologia da engenharia, ele há de deixar de ser no futuro tão
importante no mercado. Além disso, há outras reservas no mundo, como na
África, onde o acesso aos mercados da Europa e Ásia são mais fáceis”,
ressaltou Cabido.
Entre tantas questões importantes
levantadas durante o evento, esteve uma suscitada por um administrador
de um município vizinho. Ele afirmou que muitos trabalhadores que migram
para a região em busca de melhores condições de trabalho acabam se
fixando no município vizinho, pois o custo de vida em Parauapebas se
tornou muito alto. Porém, ressaltou ele, o município, com todas as suas
deficiências, não recebe nenhuma participação nos royalties da mineração
em Carajás.
O prefeito Valmir Mariano respondeu
que, de acordo com o que disseram os técnicos e gestores convidados ao
evento, a intenção é promover o desenvolvimento regional e para isso é
importante a criação de consórcios e a atuação das Associações de
Municípios, que, juntos, podem elaborar planos conjuntos de
desenvolvimento. A fala do prefeito foi ratificada pelo palestrante
mineiro Anderson Cabido, que ressaltou, mais uma vez, a importância do
processo de governança promovido pelo governo do Estado e município.
A propósito disso, o secretário especial Sidney Rosa, ressaltou, em sua
fala final, que a participação da comunidade é fundamental para o
sucesso das políticas públicas do Estado. “Muita gente reclama, mas
quantas pessoas da comunidade fazem parte do Conselho Municipal de
Educação, por exemplo? É preciso ter a nossa parcela de
responsabilidade. Não é somente a escola, mas a família. O dever que
você faz em casa com seu filho é importante para a educação dele tanto
quanto a escola”, disse o secretário.
O evento
contou, ainda, com a participação do diretor de gestão financeira da
Vale em Carajás, Gustavo Rios. Ele afirmou que a iniciativa dos governos
municipal e estadual vem ao encontro do processo de relacionamento da
empresa com a comunidade. E disse que esta participação se faz
particularmente necessária no momento em que a crise mundial começa a
afetar o faturamento da mesma no mercado internacional. Segundo ele, no
ano passado a Vale teve um lucro menor de 13 bilhões de dólares em
relação ao ano anterior, graças à crise.
“Em
primeiro lugar, a Vale tem a preocupação com o retorno aos seus
acionistas, pois sem eles a empresa não existira. Mas temos em igual
condição de importância o nosso relacionamento com a comunidade e a
minoração dos impactos ambientais e sociais que o processo de mineração
pode provocar nos municípios onde ela atua. Por isso nós prestigiamos o
evento. Acredito que esse processo de participação deva ser constante”,
disse.
(Agência Pará)
0 comentários:
Postar um comentário